Amor sem escalas – O que você leva na mochila?

Imagine que você possui uma mochila vazia nas costas. Agora comece a colocar dentro dela todas as coisas que tem na vida. Comece com coisas pequenas, como as que estão nas prateleiras ou gavetas das cômodas. Agora coloque coisas maiores: lençóis, louças, travesseiro, computador… E coloque ainda os objetos ainda maiores: o sofá, a mesa de jantar, a geladeira, sua casa… Agora tente andar. Difícil, não? Mas é isso que fazemos diariamente. Nós carregamos tanto peso nas costas que não conseguimos nos mover. E não se enganem: a vida é movimento.

Ryan Bingham (George Clooney) tem por função demitir pessoas. Por estar acostumado com o desespero e a angústia alheios, ele mesmo se tornou uma pessoa fria. Além disto, Ryan adora seu trabalho. Ele sempre usa um terno e carrega uma maleta, viajando para diversos cantos do país. Até que seu chefe contrata a arrogante Natalie Keener (Anna Kendrick), que desenvolveu um sistema de videoconferência onde as pessoas poderão ser demitidas sem que seja necessário deixar o escritório. Este sistema, caso seja implementado, põe em risco o emprego de Ryan. Ele passa então a tentar convencê-la do erro que é sua implementação, viajando com Natalie para mostrar a realidade de seu trabalho. Em uma dessas viagens, Ryan conhece Alex Goran (Vera Farmiga), também executiva, e que tem o mesmo estilo de vida que ele. Aos poucos, Ryan e Alex começam a se envolver. (Fonte: Wikipédia)

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A primeira vez que vi este filme listado no Netflix (cujo título original na verdade é Up in the air), confesso: o que me chamou a atenção foi o nome. Tudo que tenha amor no título acaba atraindo um pouco minha atenção. Sim, eu gosto de histórias de amor, mas prefiro as felizes, rs. Entretanto, depois que comecei a assistir ao filme vi que na verdade ele me traria mais do que a apreciação a uma história de amor. O filme inteirinho está cheio de situações que nos fazem refletir sobre ações, decisões, relacionamentos, e por fim, nossa própria vida.

É engraçado como o fato de você ter um hábito acaba cauterizando com o tempo nosso poder de questionar algum aspecto em nossas vidas. Por exemplo: tomar sempre o mesmo caminho para retornar para casa depois do trabalho acaba te fazendo não pensar numa rota alternativa, pois aquela que você já conhece e faz todos os dias é mais confortável. No caso do Ryan, demitir pessoas, as quais ele nunca viu antes, o tornou de certa forma frio e “imune” a relacionamentos. E estas aspas são propositais porque, por mais que queiramos nos inserir numa bolha isolada de tudo e de todos, uma hora essa bolha vai estourar. E não, eu não estou falando da Alex, o par romântico do Ryan no filme. A pessoa que fez a bolha do Ryan estourar foi a Natalie, uma pessoa com quem ele foi praticamente obrigado a se relacionar para manter o seu trabalho dos sonhos. A Natalie o fez refletir sobre suas ações, que já haviam se tornado um hábito, ao questioná-lo sobre o seu propósito de vida (acumular milhas), o seu pseudo-não-relacionamento com a Alex, dentre outras coisas. Fazemos milhares de conexões durante toda nossa vida. Prova disso é que a agenda de celular está sempre cheia de nomes e telefones de pessoas com quem você quer manter contato (a menos que se tenha uma super memória e guarde todos os números na cabeça – eu não consigo mais fazer isso).

Agora, vamos queimar as mochilas. Imaginem acordar amanhã sem nada. Isso é bem revigorante, não é?

Mais uma vez, a questão de fazer todo dia a mesma coisa nos é cômodo. Não ter muito que pensar sobre o próximo passo é confortável, mas as vezes só teremos uma nova situação se fizermos algo diferente. Quer resultados diferentes? Faça algo diferente. Por isso a frase acima, citada no filme por Ryan, me chamou a atenção. O quanto nos empenharíamos para “desenhar” o nosso futuro, ou sendo mais imediatista, o nosso dia, caso não houvesse nenhuma bagagem nas costas? E tente se lembrar: você já não foi assim algum dia? Eu me lembro de quando era mais nova e planejava como seria minha vida quando adulta: seria arqueóloga, moraria numa casa parecida com a de Lara Croft, viajaria para o Egito e desvendaria pirâmides e tumbas. A juventude por si só nos revigora e nos estimula a arriscar porque acreditamos que ainda temos um futuro pela frente que depende de nós escrevê-lo, mas com o tempo, as obrigações e responsabilidades da vida adulta acabam escurecendo essa ideia, e nos tornamos seres automatizados, fazendo sempre as mesmas coisas. Simplesmente sobrevivendo.

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Crianças amam atletas porque perseguem seus sonhos. Quanto pagaram para desistir do seu sonho? E quando você ia parar para fazer o que realmente te faz feliz?

Essa foi de longe a pergunta mais impactante pra mim no filme. Isso porque me identifico em partes. Ao sair da faculdade ou enquanto estamos nela fazemos mil planos sobre nossa carreira. “Quero fazer pós-graduação na instituição X, conseguir um emprego na empresa Y, aos 30 já serei coordenadora do setor W…”, ou “quero trabalhar com fotografia, viajar o mundo e criar um blog sobre minhas experiências em diferentes países”. Ou ainda “vou fazer um curso de confeitaria numa renomada escola de gastronomia francesa, abrir uma doceria e expandir meu negócio para o sul do país”. Apesar de serem situações hipotéticas, com certeza algum de vocês já pensou de forma semelhante em algum momento de suas vidas. Mas quantos de vocês conseguiram alcançar de fato esse estado? Ou simplesmente deixou as coisas serem atropeladas e empurradas com a barriga? Está satisfeito (a) com essa posição? Ou não? Apenas se acomodou e acha mais “fácil” manter as coisas quietinhas como estão? Eu não estou querendo dizer que todos estejamos insatisfeitos com nossos trabalhos e obrigatoriamente temos que mudar, mas e quando estamos, será que fazemos algo diferente para mudar? Ou será que simplesmente nos vendemos por um bom salário e a literal estabilidade? Lembrem-se do que o Ryan disse lá em cima: a vida é movimento. Esse é um dos argumentos que o Ryan usou no filme para confortar um dos empregados demitidos, e com certeza o cara saiu de lá no mínimo com uma reflexão sobre se valeria a pena continuar mesmo naquele emprego, ainda que com um bom salário, mas fazendo algo que não o fazia feliz.

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Você nem sabe o que quer.

E você? Sabe? Eu confesso que ainda estou tentando descobrir, rs. Mas pelo menos sei o que não quero. Saber onde se quer chegar é essencial, pois se não sabemos qual o nosso objetivo, ficaremos de lá para cá, pegando todos os caminhos que na verdade não darão em lugar nenhum, pois não sabemos onde queremos chegar.

 

Como podem perceber, o filme foi uma surpresa boa pra mim. E você, já conhecia? Escreve pra mim aqui embaixo se teve as mesmas impressões que eu, ou se ainda não assistiu, corre lá no Netflix e depois volta pra me contar 😉

Um beijo!

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