Vamos ver o pôr do sol…

… me dê a mão.

 

Essa história de crescer, ter um emprego, se tornar adulto, assumir uma família, criar filhos e ser uma pessoa responsável te entendia? As vezes acho que a crise dos 30 finalmente chegou pra mim (na verdade ela já começou desde os 27, mas tudo bem), as vezes acho apenas que ainda é minha crise da adolescência (que eu acho que nunca tive – o ápice da minha rebeldia na adolescência foi namorar um cara que minha mãe não queria que eu namorasse – quem nunca?). Porque não poderia ser igual ao Peter Pan e viver na Terra do Nunca?

Algumas coisas me fazem falta. De outras, eu tenho saudades. O ritmo frenético em que vivemos nos impede de desfrutar de uma tarde ociosa com um amigo porque naquele tempo você poderia estar fazendo outras coisas mil, mais úteis e necessárias. Mas quando socializar, compartilhar, cultivar deixaram de ser necessários?

Outra coisa é tirar um tempo pra si. Cuidar de si para cuidar do outro. Uma das primeiras orientações que os comissários de bordo dão quando está próximo o momento da decolagem do avião é sobre a máscara de oxigênio. Somente ajude o outro após colocar a sua máscara, ou então você vai sufocar. E algumas vezes nos relacionamentos acontece algo parecido. Esquecemos de cuidar de nós mesmos, nossa cabeça, focamos tanto em agradar o outro por vezes que acabamos passando por cima de nós mesmos, deixamos de mostrar quem realmente somos para mostrar o que achamos que agrada o outro e aí já foi. Você sufoca. Claro que não somos imutáveis, e claro que existem pessoas egoístas que na verdade precisam mudar, mas só querem as coisas do seu jeito. Que fique claro: não é sempre, não é com todos, mas é frequente. Não fosse assim a maioria dos relacionamentos começariam na adolescência e durariam até a morte.

 

E a saudade? Eu tenho de todos vocês que eu gostaria de encontrar na tarde dessa sexta feira para ver o pôr do sol na Barra. Uma atividade de completa ociosidade, ou de contemplação, ou de investimento, ou de amor próprio e para com o outro, ou como preferirem chamar.

 

Vamos ver o pôr do sol
Me dê a mão
Uma estrela só
Não é constelação
Sem destino vamos juntos
Passear feito nuvens no céu
Derramar a tinta colorir papel

1 Comment

  1. Catarina says: Responder

    É tão bom a liberdade de decidir o que fazer do próprio tempo e poder tirar um tempo pra ver o por do sol, voltar a ser criança, rabiscar na areia ou no papel…
    As vezes evitamos mas na loucura dos dias do séc. XXI o encontro com si mesmo é cada vez mais inevitável. Precisamos nos conhecer e reinventar. Gostei do seu blog Sara! ?

Deixe uma resposta