O que eu aprendi com o parto normal – 5 dicas para te ajudar a ter uma gestação tranquila

Senta que lá vem texto…

Hoje vou relembrar um pouquinho minha experiência com o parto de Gui para poder explicar o título desse post. Sei que muitas mulheres nem sequer cogitam a possibilidade de um parto normal (e depois de passar pelo meu primeiro trabalho de parto eu entendi o porque e respeito completamente essa decisão), mas ao mesmo tempo, muitas mulheres anseiam por viver essa experiência e, na hora “H”, seja por medo da dor, do desconhecido, por conta da falta de informação/orientação ou de uma equipe capacitada, acabam não realizando este sonho.

Entendam que, além da opção de escolha de uma mãe pela cesariana, a cirurgia também é importante em alguns casos. A cesariana pode salvar vidas, mas nos últimos anos ela vem sendo usada de forma banalizada, por motivos que não justificariam sua realização. Essa é uma discussão muito mais ampla que não pretendo fazer aqui, mas se você ainda está com alguma dúvida sobre o parto normal, espero que esse post possa te ajudar.

Eu tenho plaquetopenia auto imune. Isto é: minhas plaquetas estão em quantidade reduzida no sangue, pois meu próprio organismo as “danifica” sem motivo. As plaquetas são células sanguíneas que são responsáveis pela coagulação do sangue. Dito isto, eu sempre tive pavor de qualquer tipo de cirurgia, justamente por medo de sangrar demais. Quando descobri que estava grávida do Gui eu já sabia dos benefícios de um parto normal: para o bebê, que só vai nascer quando ele estiver pronto, reduzindo os riscos dele necessitar de UTI por alguma complicação, é colonizado por microorganismos presentes na vagina da mãe (principalmente Lactobacillus) e não microorganismos do ambiente hospitalar (no caso da cesariana), e para mãe, que terá uma recuperação muito mais rápida quando comparada à cesariana, além de menor risco de infecção e complicações.

Como eu queria o parto normal, li bastante antes sobre o que poderia ajudar a entrar em trabalho de parto, sobre exercício nesse período, sobre amamentação, e achei que estava craque nisso (ô coitada). Acordei uma sexta feira com cólica e senti que a hora do parto estava se aproximando. Por volta de meio dia as contrações começaram de forma tímida, com quase nenhuma dor. Tive consulta com minha obstetra às 15h e ela me orientou que ainda não era a hora, que eu fosse passear no shopping, ir ao cinema, etc. E foi isso que eu fiz. Estava com minha mãe e meu marido no shopping e de vez em quando precisava parar por causa do incômodo, mas ainda suportável. Chegamos em casa e me preparei para dormir por volta das 21h. Lembro que assim que deitei as contrações começaram a ficar mais intensas. Passei a noite em claro, pois não conseguia dormir com a dor. Ouso dizer que foi a pior dor que já senti na vida, ainda mais porque foi um trabalho de parto prolongado (e aqui abro um parêntese bem grande pra dizer que, mesmo não estando em trabalho de parto ativo – acima de 5cm de dilatação – doía e MUITO!). Pela manhã minha doula veio até minha casa e ficou comigo até a hora do hospital. Demos entrada no internamento às 14h e eu estava com 7cm de dilatação, mas Gui estava muito alto. Tomei analgesia com 9cm e ao mesmo tempo ocitocina para ajudar nas contrações. Na minha opinião a analgesia não amenizou em nada nas dores das contrações. Só me ajudou mesmo no período expulsivo, pois nesse momento eu não senti nenhum desconforto. De 21h do dia anterior de dores intensas, o Gui nasceu às 20:27 do dia seguinte, mas graças a Deus ótimo e foi direto comigo para o quarto.

Depois dessa experiência, eu sabia que teria que me preparar ainda mais para o segundo parto, mas tinha algumas coisas a meu favor: o fato de não ser mais primigesta (primeira gestação/parto) já favoreceria que meu segundo parto fosse mais rápido, além da diferença de tempo entre Gui e Miguel não ser tão grande (3 anos e 2 meses). Mas só isso não era suficiente. Como dessa vez a equipe que me assistiu foi a mesma desde o início da gestação (na primeira tive que trocar de obstetra, pois a que me acompanhou no início não era a favor de parto normal), pude ser preparada e me preparar desde o início. Vou tentar pontuar tudo que fiz diferente nesta gestação e que me ajudou a me preparar.

1.Pesquise qual equipe/obstetra vai acompanhar você durante a gestação e o parto.

Pode parecer besteira, ou que todos são iguais, mas não é. A escolha do obstetra é peça fundamental para que você tenha uma gestação tranquila e sua opção de parto respeitada. E quando eu falo gestação tranquila não estou me referindo a sintomas. Sim, porque isso não tem como prever se você terá enjoo, cólicas, sangramentos, indisposição, alterações endócrinas, etc, mas se você estiver com uma equipe que é capacitada e lhe passa segurança, você confia e saberá que será bem cuidada nesse período para enfrentar todas essas situações. Eu mesma tive sangramento, cólicas, enjoos, indigestão, indisposição, tontura, enfim, mas nunca me desesperei. Minha dica é perguntar a quem já foi acompanhada pelo profissional, à profissionais de saúde na área se conhecem, pois dessa forma você fica sabendo de quem já viveu essa experiência ou acompanha o profissional. Por trabalhar na área hospitalar eu tive acesso a informações sobre vários profissionais que estava procurando e pude escolher com mais segurança. Os obstetras que me acompanharam nesta gestação foram Adriana Monteiro e Rodrigo Lemos da Obstare.

2. Converse com seu obstetra sobre o seu desejo e, se preferir, faça um “plano de parto”

Conversar com o profissional que irá lhe acompanhar sobre seus anseios/planos é outro ponto fundamental. Deixe claro qual a sua vontade e esteja aberto para ouvir pontuações de quem é o profissional também (mas claro, se informe para saber se as pontuações procedem). Na primeira gestação eu troquei de obstetra com 5 meses porque a primeira disse que o parto normal sangrava tanto quanto a cesariana e que nesta última ainda se tinha a vantagem de que o bisturi iria cauterizando o corte, então seria mais seguro que o parto normal (oi?). E o plano de parto é onde você registra o que deseja que seja feito no momento do parto e nos cuidados com você e com o bebê. Ele pode incluir a roupa que você quer usar, a iluminação do ambiente, música, sobre a realização de episiotomia ou outros procedimentos, abaixar os campos cirúrgicos para ver o bebê (no caso de cesariana), etc. Eu não fiz plano de parto em nenhum dos dois casos, mas no parto de Gui pedi só para não ficar andando muito, pois estava muito desconfortável com as dores. No parto de Miguel pedi para o pai cortar o cordão umbilical.

3. Aproveite a gestação e o trabalho de parto para se movimentar!

Mais uma vez, comparando as duas experiências, na gestação de Gui eu não fiz qualquer tipo de acompanhamento para atividades físicas, mas eu entrava na piscina aqui de casa pelo menos 2x/semana para fazer exercícios de hidroginástica (eu assistia vídeos no Youtube e fazia os exercícios sozinha). Já na gestação de Miguel eu fiz algumas aulas de exercício específico para gestação (tipo um pilates direcionado para gestante) e hidroginástica com uma equipe de fisioterapia aqui de Salvador que trabalha só com gestantes: a Fisiogestantes. Foi ótimo! E quem pensa que é moleza, digo só uma coisa: nunca saí da academia tão acabada quanto saía das aulas na gestação! Mas isso me ajudou e muito! No dia do parto fiz uma aula que ganhei de cortesia pela manhã e à noite estava parindo (no vídeo do relato de parto vou falar um pouco mais sobre isso). Além disso, quando percebi que estava entrando em trabalho de parto, eu comecei a “rebolar” na bola de pilates que “minha fisio” me emprestou, andava pela casa e, no momento das contrações, balançava o quadril de um lado para o outro como “minha doula” havia ensinado na época de Gui, me agachei para limpar o chão da sala durante as contrações porque Gui havia sujado de amoeba, ou seja, eu me entreguei ao momento e quis ajudar de todas as formas possíveis para que o parto acontecesse logo e não lutar contra as contrações (que foi o que acabei fazendo no parto de Gui e o que acho que contribuiu pra ele ser tão demorado).

4. Vá além do obstetra e escolha uma equipe para te acompanhar

Como eu mencionei, eu fui acompanhada por uma doula/enfermeira obstétrica e uma fisioterapeuta, e pra mim fez toda diferença. A doula me acompanhou nos dois partos e no de Gui eu só não desisti do parto normal porque ela esteve comigo, literalmente, o dia inteiro! Ela aplicou algumas técnicas para alívio da dor e para auxiliar nas contrações (tenz, moxa, respiração). No parto de Miguel ela fez uma sessão de acupuntura comigo (apenas para equilíbrio do meu organismo e não para indução) e no mesmo dia entrei em trabalho de parto. Com relação a fisioterapeuta, minha obstetra orientou que eu fizesse fisioterapia uroginecológica para ajudar a evitar laceração e perda de urina no pós parto. A mesma professora de pilates que mencionei no tópico anterior foi quem me acompanhou em casa para esse preparo. Ela me ensinou exercícios para fortalecimento do períneo e a massagem perineal para ajudar na elasticidade no momento da expulsão e evitar lacerações. Além desses dois profissionais, é importante também o acompanhamento com nutricionista. A gestação pode trazer algumas alterações em nosso metabolismo (hipotireoidismo, diabetes, hipertensão, anemia) e a alimentação adequada é fundamental para que a saúde seja preservada e evitar complicações durante a gestação ou posteriores, inclusive para o bebê. E conheça também o hospital onde você terá o bebê (se não for um parto domiciliar), pois assim você saberá qual a posição da equipe da instituição em alguns casos (é estimulado o aleitamento materno exclusivo? Existe alojamento conjunto imediato? Existe UTI neonatal? Como são as regras para visitas? O que a instituição disponibiliza para facilitar os exames do bebê? Teste do pezinho, orelhinha, coração, etc).

5. Leia MUITO sobre tudo que puder e está relacionado à gestação: vantagens e desvantagens dos tipos de parto, atividade física, amamentação, sono do bebê, trabalho de parto, “resguardo”, alimentação, etc, e se “conecte” com o seu bebê.

Como eu falei lá no comecinho, informação é tudo para que possamos argumentar com segurança quando vierem nos sugerir ou questionar algo. Muitas mulheres se concentram no quartinho do bebê, nas roupinhas, chá disso e daquilo, mas esquecem de também ler e se informar sobre outros aspectos. A maternidade é um mundo, e não são nos 9 meses de gestação que a gente aprende tudo – é só o começo. Aproveite nesse período para começar a se preparar, converse com seu bebê, cante, ore e faça promessas de bençãos para ele, pois mesmo lá de dentro ele pode sentir o nosso amor.

É [tudo] isso. Espero poder ajudar alguma mamãe do outro lado ;D

Deixe uma resposta